domingo, 1 de julho de 2012

“Tínhamos mais time que o Grêmio”, avalia Grizzo

Por Lucas Heckler
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Lucas Heckler

Tricampeão do Campeonato Catarinense, campeão da Copa do Brasil e participação histórica na Copa Libertadores da América. Essas foram as principais conquistas do Criciúma Esporte Clube entre 1989 e 1992, e está época está entre os grandes momentos dos 65 anos do Criciúma. O plantel vencedor contou com a participação do meio-campista Vitalino Adolfo Barzotto, popular Grizzo. 


“Os anos que fiquei no Criciúma foram os melhores anos da minha carreira profissional. Foi uma fase especial, era um grupo diferenciado”, pontua o ex-meio-campista. “O grupo era fechado e sempre teve caras bons, pessoas simples, sem frescuras”, completa. 


Antes de chegar ao Tricolor em 1988, Grizzo passou por Pato Branco/PR, Joinville/SC e Colorado (atual Paraná Clube/PR). Quando saiu da equipe sul catarinense, teve passagens pelo Bahia/BA, Hercílio Luz/SC, Ponte Preta/SP, Avaí/SC e Passo Fundo/RS. 

Grizzo chegou a Tricolor para disputar o Brasileiro de 1988. Mas, a experiência na primeira competição não foi positiva. O clube foi rebaixado com apenas 14 pontos ganhos em 23 jogos. 

No ano seguinte, a primeira conquista. Com vitória na decisão sobre o Joinville, o Criciúma faturou o Estadual, classificando-se à Copa do Brasil do ano seguinte. Na Série B do Brasileiro, o Tricolor encerrou na quinta colocação. 

 Em 1990, o Criciúma voltou a festejar o título do Estadual e encerrou na sétima posição da Série B. Mas o principal e surpreendente resultado foi obtido na Copa do Brasil. Em sua estreia na competição, o Tricolor chegou à semifinal. “A Copa de 90 foi melhor que a de 91, quando conquistamos o título”, pronuncia Grizzo. 

O Internacional de Porto Alegre foi o primeiro adversário do Tigre na Copa do Brasil de 1990. No primeiro jogo, no Rio Grande do Sul, derrota por 1 a 0, mas no desafio de volta, o Tricolor eliminou o Inter com o placar de 2 a 0. Depois, enfrentou o Coritiba, vencendo em pleno Couto Pereira, e conquistando o empate no Estádio Heriberto Hülse. 

Nas quartas de final, o rival eliminado foi o São Paulo, com o placar agregado de 2 a 1. Na semifinal, o Tricolor bateu o Goiás por 1 a 0 no Majestoso, como é carinhosamente chamado o Estádio do Criciúma pela torcida. Contudo, o placar foi revertido em Goiânia, levando o duelo para a decisão por penalidade máxima. Nessa etapa, o Goiás bateu o Tigre por 3 a 1 eliminando o time catarinense. 

“Não esperávamos esse resultado expressivo. Na primeira fase pegamos o Internacional, que estava disputando contra um time qualquer. Depois eliminamos o timaço do Coritiba. Aí quando pegamos o São Paulo todo mundo dizia que já tinha acabado, que tínhamos chegado longe demais, mas conseguimos a classificação. Na semifinal ganhamos do Goiás no primeiro jogo e poderíamos ter feito mais. Daí fomos para Goiás, tomamos um gol e no final tivemos um pênalti, mas o juiz não deu, e perdemos na decisão por pênaltis”, contou. 

Em 1991, o Criciúma conquistou o título mais importante ao longo dos 65 anos de história do clube: a Copa do Brasil. O caneco foi conquistado de maneira invicta, com seis vitórias e quatro empates em dez partidas. 

O primeiro confronto na jornada vitoriosa foi diante do Ubiratan, no Mato Grosso do Sul. Mesmo com experiência, e diante de uma equipe estreante, o Criciúma não conseguiu passar de um empate em 1 a 1. “Eles tinham um time muito bom, formado por atletas gaúchos”, argumentou Grizzo. No jogo de volta, no HH, o Tricolor saiu atrás do marcador, mas conquistou a classificação com vitória por 4 a 1. 

Depois, pegou o Atlético Mineiro, vencendo as duas partidas pelo placar simples. Foi nesta fase, que o técnico Luiz Felipe Scolari assumiu o comando do Tricolor. Nas quartas de final, o adversário foi novamente o Goiás. Com o empate sem gols no primeiro jogo, o fantasma de uma nova eliminação esteve presente, no entanto, durante a partida, os tricolores dominaram os adversários e venceram por 3 a 0. 

Na semifinal, frente a frente do Remo, placar positivo nas duas partidas. O primeiro duelo, no Pará, encerrou em 1 a 0, enquanto no desafio de volta, 2 a 0. O outro finalista saiu do confronto envolvendo Grêmio e Coritiba, com classificação do clube gaúcho após um empate e uma vitória. 

O primeiro confronto da decisão foi disputado no Estádio Olímpico, no Rio Grande do Sul. As duas equipes empataram em 1 a 1. Vilmar assinalou o gol do Tigre aos 15 minutos do primeiro tempo, enquanto Maurício empatou para o Grêmio aos 38 da etapa final. 

O resultado do primeiro jogo deixou o Tigre a um empate sem gols do título. E foi isto que aconteceu. Os tricolores catarinenses seguraram os gaúchos, e o placar não foi aberto. Quase 20 mil pessoas compareceram ao Estádio Heriberto Hülse, e acompanharam o técnico Felipão mandar a campo Alexandre; Sarandí, Vilmar, Altair e Itá; Roberto Cavalo, Gélson e Grizzo (Vanderlei); Zé Roberto, Soares e Jairo Lenzi. 

“Tomamos o gol mais pelo emocional mesmo. Eles não mostraram nada, tínhamos mais time que o Grêmio”, contou. No mesmo ano, o Tricolor obteve o Tricampeonato do Estadual. 

Com o titulo da Copa do Brasil, o Criciúma obteve o direito de disputar a Copa Libertadores da América de 1992. O feito ainda não foi igualado por outro clube de Santa Catarina. Com uma campanha além das expectativas, o Tricolor somente foi eliminado nas quartas de final, pelo São Paulo, que mais tarde, tornou-se campeão da competição continental e do Mundial de Clubes. 

Na primeira fase, derrotou e perdeu para o São Paulo, 3x0 e 4x0, respectivamente, obteve duas vitórias sobre o São José, da Bolívia (2x1 e 5x0), e conquistou uma vitória por 2 a 1 diante do Bolívar no Brasil, empatando em 1 a 1 com a equipe na Bolívia. Nas oitavas de final, o rival foi o Sporting Cristal, do Peru, com vitórias dos catarinenses por 2 a 1 e 3 a 2. 

Nas quartas de final, veio a eliminação. Após a derrota por 1 a 0 para o São Paulo no primeiro confronto, as duas equipes ficaram no 1 a 1 no Estádio Heriberto Hülse. Ao término da partida, os torcedores do Criciúma se levantaram e aplaudiram o time, que colocou Criciúma no cenário futebolístico sul-americano. O empate com o São Paulo, foi o último jogo de Grizzo com a camisa do Criciúma Esporte Clube. 

“O Criciúma tinha chegado longe naquela Libertadores, e isto foi reconhecido pela torcida”, pontua o ex-meio-campista. 

Também em 1992, o Criciúma garantiu o terceiro lugar na Série B do Campeonato Brasileiro, conquistando vaga na elite do futebol nacional. 

Desde 2007, o gaúcho de Tapera reside em Imbituba, mas de acordo com o ex-jogador, há pretensões de passar a morar em Içara, e atuar em uma escolinha de futebol. Além dos títulos com o Criciúma, Grizzo pode comemorar o título da Série B do Campeonato Paranaense de 1986 pelo Pato Branco, o Campeonato Catarinense de 1987 pelo Joinville e a Série C do Campeonato Brasileiro de 1998 pelo Avaí.

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